segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

ANABOLIZANTES E SEUS RISCOS

DEFINIÇÃO

Os esteroides anabolizantes são medicamentos que funcionam como esteroides produzidos pelos próprios seres humanos.

Podem ser classificados em androgênicos e corticoides. Aqueles usados indevidamente são, na maioria, esteroides androgênicos (que agem como testosterona). Os esteroides usados para tratamentos de reações inflamatórias são os corticoides (prednisolona, cortisona, beclometasona, budesonida, dexametasona e vários outros), e todos têm diferentes graus de efeitos anabólicos. Os esteroides androgênicos, secretados pelas glândulas supra-renais ou pelos testículos, são hormônios sexuais masculinos, que incluem a testosterona, a diidrotestosterona e a androstenediona. A testosterona, proveniente do colesterol, é produzida, nos homens, principalmente nos testículos, e uma pequena quantidade, nas glândulas adrenais. A testosterona e seus metabólitos, como a diidrotestosterona, agem em várias partes do corpo humano produzindo as características sexuais masculinas secundárias (calvície, pelos no rosto e no corpo, voz grossa, maior massa muscular, pele mais grossa e maturidade dos genitais); na puberdade, produz acne, crescimento peniano e testicular (em relação a comprimento e diâmetro) e fusão da epífise óssea, cessando assim o crescimento em altura.

A produção normal no homem adulto é de cerca de 4 a 9mg por dia, podendo ser aumentada pelo estímulo do exercício físico intenso. As mulheres produzem somente 0,5mg de testosterona/dia, daí a dificuldade em adquirir massa muscular 




HISTÓRIA DA DROGA 

Os esteróides anabólicos obtiveram certa proeminência para uso médico no início dos anos 1950, para o tratamento de pacientes com deficiência nos estrogênios naturais ou que sofriam de doenças caracterizadas por desgaste muscular. Outras indicações clínicas e terapêuticas são para o tratamento da osteoporose em mulheres e para neutralizar um declínio excessivo na massa corporal magra e um aumento na gordura corporal observados freqüentemente em homens idosos. Entretanto, ultimamente os esteróides anabólicos passaram a fazer parte integral do ambiente de alta tecnologia dos desportos competitivos, sendo utilizados por cerca de 90% dos fisiculturistas profissionais do sexo masculino e por 80% dos do sexo feminino, com a esperança de melhorar o desempenho físico.Em 1994, nos Estados Unidos, mais de um milhão de jovens já tinham utilizado esteróides anabolizantes. Preocupa-nos saber que o motivo do uso tem causa social, destacando-se os efeitos benéficos do produto no desempenho físico sem preocupação com os graves danos à saúde. As autoridades federais estimaram, parcimoniosamente, que o emergente negócio do tráfico ilegal de esteróides, que é um importante fator econômico do uso ilegal da droga, ultrapassa os 100 milhões de dólares por ano, número que está aumentando rapidamente. 

No Brasil, apesar de o problema estar se agravando, não localizamos estudos sobre incidência e prevalência do uso ilícito de esteróides anabolizantes entre adolescentes. Entretanto podemos estimar que o usuário ou consumidor preferencial se encontra na faixa etária de 18 a 34 anos de idade e é, em geral, do sexo masculino.

INDICAÇÃO 

Os anabolizantes possuem vários usos clínicos, tendo como função principal a reposição da testosterona nos casos em que, por algum motivo patológico, tenha ocorrido um déficit desse hormônio. Muitos similares da testosterona são usados em tratamento médico, como nos casos de deficiência de testosterona, problemas testiculares, câncer de mama, angioedema hereditário, anemia aplástica, endometriose grave e estímulo do crescimento em caso de puberdade masculina tardia. Além do uso médico, eles têm a propriedade de aumentar os músculos e, por esse motivo, são muito procurados por atletas ou pessoas que querem melhorar o desempenho e a aparência física. O uso estético não é indicação médica, portanto é ilegal e ainda acarreta problemas à saúde.

EXEMPLOS DE MEDICAMENTOS ESTERÓIDES 

Os esteróides podem ser injetáveis ou orais. A forma preferida dos usuários é a aplicação intramuscular, posto que a substância age mais rapidamente do que por via oral.

Esteróides nacionais - Decanoato de nandrolona (Deca-Durabolin® - um esteróide injetável com resultado de ganho de massa muscular e pequenos efeitos colaterais); derivados da testosterona, como propionato, fenilpropionato, isocaproato e decanoato de testosterona (quatro tipos de testosterona sintética muito bons para ganho de massa e força, mas muito carregados de efeitos colaterais); oximetolona (esteróide oral que tem o maior poder de ganho de massa e força de todos os existentes no Brasil e no exterior, mas de longe também o mais tóxico, podendo causar hepatites instantâneas, independentemente da dose); mesterolona (toxicidade mediana e poucos efeitos em ganho de massa).

Esteróides importados - Estazanol, oral e injetável (tóxico ao fígado); enantato de metolona (pouco efeito em ganho de massa e menos tóxico); oxandrolona (não tem muitos efeitos colaterais, sendo o preferido das mulheres).




EFEITOS COLATERAIS 

O uso abusivo de esteróides pode levar a tremores, acne grave, retenção hídrica, dores nas articulações, aumento da pressão sangüínea, alteração do metabolismo do colesterol (diminuindo o HDL e aumentando o LDL com elevação do risco de doenças coronarianas), alterações nos testes de função hepática, icterícia e tumores no fígado, policitemia, exacerbação da apnéia do sono, estrias e maior tendência às lesões do aparelho locomotor (pois as articulações não estão aptas para o aumento de força muscular). Além disso, os indivíduos que fazem o uso de anabolizantes injetáveis correm o risco de compartilhar seringas contaminadas e se infectar com os vírus da AIDS ou da hepatite B ou C.

  • No homem - Diminuição ou atrofia do volume testicular, redução da contagem de espermatozoides, impotência, infertilidade, calvície, oligúria e disúria, hipertrofia da próstata e desenvolvimento de mama com ginecomastia nem sempre reversível.
  • Na mulher - Crescimento de pelos com distribuição masculina, alterações ou ausência de ciclo menstrual, hipertrofia do clitóris, voz grave e diminuição de seios (atrofia do tecido mamário).
  • No adolescente - Maturação esquelética precoce com fechamento prematuro das epífises ósseas, baixa estatura e puberdade acelerada, levando a crescimento dismórfico.

O abuso de anabolizantes pode causar problemas emocionais como variação de humor, incluindo agressividade e raiva incontroláveis, e levar a episódios violentos como suicídios e homicídios, principalmente conforme a freqüência e o volume utilizado. Usuários apresentam sintomas depressivos de síndrome de abstinência ao interromper o uso, o que pode contribuir para a dependência. Ainda podem experimentar ciúme patológico, quadros maníacos e esquizofrenóides, extrema irritabilidade, ilusões (podendo haver uma distorção de julgamento em relação aos sentimentos e invencibilidade), distração, confusão mental e esquecimentos, além de alterações da libido e suas conseqüências.

Algumas causas apontadas para o uso de esteróides anabolizantes incluem insatisfação com a aparência física e baixa auto-estima. A pressão social, o culto ao corpo que a nossa sociedade tanto valoriza, a falsa aparência saudável e a perspectiva de se tornar símbolo sexual constituem motivos para o uso/abuso dessas drogas. Uma boa aparência física ajuda na aceitação pelo grupo, promove a admiração de todos e faz surgir novas oportunidades.




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